Diego Assis jogou na várzea se tornou jogador profissional aos 23 anos, atuou na 5ª divisão da Suécia e hoje se destaca no futebol da Escandinávia

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Diego Assis ao centro comemora copa da Finlândia.

Alcançar o futebol profissional após uma determinada idade e sem ter passado por categorias de base, nunca foi uma tarefa fácil para a maioria dos jogadores de várzea do nosso país, são poucos os exemplos que após os 20 anos conseguiram chegar a um clube profissional. Mas diferentemente da maioria desses atletas, o nosso entrevistado Diego Assis conseguiu tornar-se jogador profissional aos 23 anos, com muito esforço ele venceu todas essas barreiras, chegou a trabalhar em uma fábrica metalúrgica no Brasil onde jogou torneios industriais, realizou inúmeros testes em equipes onde o mesmo foi dispensado, atuou na várzea, e agora atua no futebol da Escandinávia, que situa na região geográfica e histórica do norte da Europa abrangendo a Finlândia, país no qual se tornou profissional. O meio campista atua no IFK Mariehamn onde está na 4ª temporada com o clube, Diego passou também pelo Assi IF da Suécia no ano de 2012, na mesma época o pequeno clube amador sueco disputava a 5ª divisão, e foi então com o bom desempenho no país vizinho que Diego Assis conseguiu abrir a portas para se profissionalizar e transferir para o IFK Mariehamn onde está desde 2013, tendo disputado 126 jogos com a equipe marcando ainda 28 gols, conquistou também a Copa da Finlândia. E Diego nos fala agora sobre o seu primeiro clube na carreira o Assi IF da Suécia, que disputava uma divisão amadora, como foi esse progresso de jogador da várzea á jogador de uma equipe amadora da Suécia?

“Cheguei no Assi IF quando eles estava disputando a 5ª divisão amadora, e minha chegada no Assi IF foi em 2010, mais ou menos em junho. Na minha primeira temporada, joguei só meio ano e fui bem então renovamos para a próximo época de 2011. Quando fiz o teste lá no time do Luiz Antônio da Finlândia, na época ele era o treinador do OPS, eu não passei, eu queria então voltar embora para o Brasil, mais ele falou como você já está aqui vamos tentar em mais um time e me levou para o Assi IF, e eu pensei não custa tentar e fui mais por conta de um sonho de jogador de futebol. Foi muito difícil para se profissionalizar e como não tinha agente ou alguém que pudesse me ajudar, então ficava difícil, depois dos meus 17 e 18 anos que joguei meu último ano em categoria de base eu tive que largar a mão para poder trabalhar e ajudar em casa, mais aí conheci alguns amigos que jogavam campeonato amador e aquilo começou dar dinheiro então virei jogador de várzea na Bragança Paulista em Jundiaí e em uma região do interior de Minas Gerais. Foi quando uma empresa que se chama metalúrgica Frum que contratava ex-jogadores de futebol para trabalhar e jogar os torneios do Sesi (torneio das indústrias), eu fui contratado por esta empresa e comecei a jogar com eles, fomos campeões em todas as fases aqui no Brasil. Conseguimos uma vaga para jogar fora do país o campeonato mundial das indústrias que aconteceu na Estônia em 2010 e fomos campeão lá invicto e tinha um treinador olhando os jogos e era brasileiro, e ele morava na Finlândia. Ele gostou do meu jeito de jogar e  me perguntou se eu queria ficar para jogar com ele no time dele e eu falei na hora que sim, então foi assim que virei profissional aos meus 23 anos no Assi IF e no Brasil fui sempre amador”, contou sobre como chegou a Suécia.

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Diego Assis na época do Assis IF.

Como foi essa experiência frustrada para tentar conseguir alcançar o sonho de se tornar jogador profissional no Brasil?

“Tentei me profissionalizar no Brasil mais não deu certo, tentei no Cruzeiro e até no São Paulo entrar na categoria de base, tentei também no Bragantino e meu último time foi  o Atibaiense, no Brasil a concorrência é muito grande e tive que largar o sonho e a vontade de virar jogador de futebol profissional por alguns tempos e precisei trabalhar, só que nunca desisti e sempre treinava e jogava os campeonatos amadores, sempre estava entre os melhores e sendo artilheiro dos campeonatos, sempre na expectativa de alguém está me vendo e que pudesse me convidar para fazer um teste. Mas coloquei nas mãos de Deus meu sonho e disse que se fosse da vontade dele iria se realizar não importava qual a idade ou o ano. Deus é bom e em todo tempo ele é bom, muitas vezes por meios da situações da vida nós deixamos de acreditar e esquecemos que tem alguém nos guardando e preparando o melhor. Hoje eu sei que tudo na vida tem o seu tempo e tempo certo para acontecer todas as coisa, mas nós não sabemos espera o tempo de Deus, então as coisas para mim foram acontecendo”, falou sobre os testes e a frustração de não ter conseguido profissionalizar no Brasil.

E como surgiu a oportunidade de transferir para o IFK Mariehamn da Finlândia?

“A minha chegada no IFK Mariehamn foi através de um amigo que jogou comigo no Assi IF e  que já tinha jogado no IFK no ano de 2004-2005. Ele perguntou se eu gostaria e como seria meu futuro para 2013 e que se eu quisesse jogar numa equipe maior, que eu posso te  ajudar que tenho bons contatos com os treinadores e diretores, eu falei que sim aí  e ele conversou com pessoal e marcou uma semana de avaliações  e treinos. Graças a Deus passei no teste. E assinei com IFK Mariehamn para temporada 2013”, comentou como veio a oportunidade de atuar na Finlândia.

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Diego Assis comemora gol com a camisa do Mariehamn.

Como é a estrutura do Mariehamn e qual o foco pra próxima da temporada?

“Mesmo sendo um time pequeno é um time bem estruturado profissionalmente, tem academia, tem um estádio próprio com um campo de grama natural e um sintético, fisioterapia. Todos que trabalham aqui dessa comissão técnica e diretores são muito profissionais. É um time bom e o foco do time pra próxima temporada é conseguir a classificação inédita para classificaria para a Champions League”, falou sobre um pouco sobre o clube e sobre o foco pra próxima temporada, já que a equipe lidera a competição e tem grandes chances de garantir o título ou uma competição européia.

Quais foram as dificuldades que você teve logo no início de vida na Suécia? E como foi sua adaptação ao futebol finlandês?

“As maiores dificuldades que passamos no início na Suécia foi o idioma, e também a alimentação, que é totalmente diferente da vida que levamos no Brasil. Mas graças á Deus fomos bem recebidos aqui, fora que os europeus gostam muito do futebol brasileiro. O início fui muito difícil, a minha adaptação no futebol não foi demorada dentro de campo as coisa saíram bem. A minha dificuldade adaptação foi mais fora de campo mesmo, as coisas foi melhorando aos poucos e fomos aprendendo a falar o inglês.”, falou sobre os empecilhos que teve no início de vida no futebol europeu e a adaptação ao país.

História: Imitação no mercado para fazer feijoada

“Passamos por cada uma por conta de não falar o inglês e o sueco. Teve um dia, que eu e minha esposa convidamos o diretor do time do Assi IF para ir em nossa casa para jantar e comer uma comida típica brasileira para ele experimentar. E minha esposa escolheu fazer feijoada, mas como teríamos que comprar os ingredientes para feijoada, e o nosso inglês não era bom, foi difícil de achar os ingredientes e a carne de porco. Então fomos para o mercado para comprar os ingredientes, achamos feijão preto, linguiça, etc, mas o mais difícil foi a costela de porco ou a carne de porco e aí fomos tentar comprar a carne de porco e não achávamos, e aqui não tem açougue e as carne vem embaladas e tudo escrito em sueco e inglês, eu e minha esposa não conseguíamos achar e aí vai lá eu tentar falar com a pessoa que trabalhava no mercado, pedir ajuda. Aí tentei falar com a moça que eu queria carne e eu não sabia falar costela de porco em inglês e eu tentava explicar para ela que queria carne e apontava para minha costela. E fazia gesto e a mulher não entendia e foi aí que eu tive uma ideia de imitar um porco no mercado e as pessoas me olhavam e minha esposa que estava do meu lado deu no pé e me deixou sozinho lá. Quando olhei pro lado cadê ela, tinha saído, mas olha eu consegui a carne (risos) e fiquei preocupado com minha esposa pensando aonde ela poderia estar, ela estava lá fora do mercado com vergonha (risos) me esperando”, contou o meia.

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Diego em partida do IFK.

Como é vida na Finlândia?

“A vida aqui na Finlândia é boa, aqui é um lugar muito bom para a família, um lugar tranquilo e calmo, é uma país muito bem estruturado. A Finlândia em educação e é uns dos melhores países para se viver. Só fica em segundo lugar para Noruega que está na primeira colocação, mas para viver aqui e criar sua família é perfeito. E aqui aonde moramos é uma ilha pertencente a Finlândia e aqui fala-se mais o sueco e não o finlandês é um lugar pequeno e tranquilo, nós gostamos daqui”, falou sobre a vida no país da Escandinávia.

Em pouco mais de 4 anos, são mais de 120 jogos e 28 gols marcados pelo Mariehamn além do titulo da Copa da Finlândia, a torcida já te considera um ídolo? Tem algum apelido dos torcedores? E como você avalia a sua passagem pela equipe até o momento?

“Os torcedores tem um carinho enorme por mim, mas ídolo acho que não (risos) não sei apelido eu creio que não tenho nenhum, mais eles me chamam de Assis. Como sou conhecido  aqui. Eu analiso minha passagem aqui sendo excelente, participe de feitos que o clube não tinha alcançado, o time de Mariehamn é um time pequeno, mas desde de quando cheguei aqui sempre está entre os top 3 e o time do Mariehamn por ser um time pequeno já jogou duas classificatórias para a Liga Europa. E em 2015 fomos campeão da copa da Finlândia, que foi a primeira vez que o time conquistou o título da copa na história do clube, então posso dizer que fui bem e estou satisfeito com resultado”, comentou sobre a passagem até o momento com o clube, o carinho da torcida e os feitos que a equipe conquistou nos últimos anos.

Jalkapallon Veikkausliigaa HJK vs IFK Mariehamn

E como foi conquistar o primeiro titulo da história do atual clube, titulo este que foi a Copa Suomen e qual foi a temporada mais especial com o clube?

“Eu creio que a temporada mais especial foi a do ano de 2015 na qual fomos campeões da Suomen Cup (Copa da Finlândia), e que ainda por cima Deus me abençoou com 2 gols da final e como melhor jogador da partida. Este dia foi para mim inesquecível, que vai ficar marcado na minha memória para sempre”, relembrou a temporada mais especial com a camisa do IFK Mariehamn.

A equipe está na liderança com um ponto a mais que o Helsinki, podendo conquistar um titulo inédito nas próximas rodadas do campeonato finlandês, como que esse momento está sendo vivido na cidade, e também entre os jogadores? Acha possível que a conquista venha ao término desta temporada?

“É verdade estamos muito próximo a conseguir um título inédito, agora da liga principal. Nós estamos bastante motivados, é uma sensação maravilhosa o que estamos vivendo e eu creio que todos que torcem para o IFK estão também sentindo o mesmo  e sim todos nós cremos nesta conquista. Nosso time está muito forte este ano e bastante entrosado e temos muita chance de sermos campeão, vamos em busca do caneco e que Deus venha nos abençoar nesta reta final com o título”, com muita motivação Diego Assis acha possível conquistar o inédito titulo do campeonato finlandês.

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Quais são os planos para o futuro, pretender permanecer em solo europeu? Retorno um dia ao Brasil?

“Meus planos para a próxima temporada aqui para mim é o meu último ano, creio que chegou a hora de sair e procurar novos desafios, quem sabe um dia eu volte, mas estão surgindo algumas proposta para próximo ano e proposta boas que pode muda tudo e vamos ver o que vai acontecer, mais ainda pretendo ficar por aqui na Europa sim ainda. Mas eu um dia eu pretendo voltar ao Brasil sim, tenho minha meta hoje é jogar o por um time grande europeu e jogar uma fase de grupo da Liga Europa ou a Champions League e também uma das minhas metas é jogar no Brasil, disputar o campeonato brasileiro e  jogar pelo Palmeiras um dia, quem sabe, não custa nada sonhar”, revelou o contato de outras equipes, já que o contrato com o Mariehamn encerra no final da temporada, e sonho de atuar no Palmeiras.

Mensagem para os leitores do site Passepragol:

“Eu agradeço a todos vocês do Passepragol, obrigado pela oportunidade. Quero parabenizar todos você pelo trabalhão e também agradeço  a todos os torcedores do IFK e todos que me apoiam e todos vocês do Passepragol. estão de parabéns, um grande abraço, obrigado”, finaliza.

O IFK Mariehamn lidera o Campeonato da Finlândia com 54 pontos, um ponto a frente do poderoso Helsinki, e no próximo dia 14/10 essas duas equipes se enfrentam em uma jogo que pode determinar o campeão finlandês.

Abaixo os melhores momentos de Diego Assis:

 

 

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1 comentário Adicione o seu

  1. Emerson disse:

    Grande “trepinha”, craque de bola e humildade, desde a época de Extrema-MG, quando brincava na chácara do meu pai. Deus abençoe vc e sua família mano, que boas propostas apareçam e quem sabe no meu Santos F.C,,,Rs,,,Abração mano,,, Emerson

    Curtido por 1 pessoa

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